O presenteísmo, caracterizado pela presença física dos colaboradores sem um desempenho efetivo, tem se tornado um desafio crescente para as empresas. Nesse contexto, o setor de Recursos Humanos (RH), em parceria com os gestores, desempenha um papel fundamental na identificação desse problema e na implementação de estratégias que priorizem o bem-estar dos colaboradores e a entrega de resultados em vez do simples cumprimento de carga horária.
Evelyn Alencar e Nathalia Torres, profissionais de RH da Allp Fit, destacam que oferecer flexibilidade e autonomia aos colaboradores faz toda a diferença para a produtividade. Isso porque cada pessoa tem seu próprio ritmo de trabalho: enquanto alguns são mais produtivos pela manhã, outros rendem melhor à tarde ou à noite, por exemplo. Compreender esses padrões permite que os líderes administrem melhor a gestão do time e ajustem a rotina de reuniões e demandas, promovendo maior eficiência e engajamento no dia a dia.
“[Para evitar o presenteísmo] É muito importante que as lideranças observem como cada colaborador desempenha melhor seu trabalho e deleguem as tarefas com base nas competências individuais, sempre incentivando trocas produtivas dentro da equipe. Essa gestão mais próxima, humana e individualizada aumenta significativamente a motivação dos colaboradores”, comenta Nathalia.
“O time de RH assume um papel mais analítico quando a empresa já conta com iniciativas de Treinamento e Desenvolvimento (T&D), por exemplo, mas é o gestor quem está no dia a dia. Feedbacks regulares e momentos de alinhamento (one-on-ones) podem ajudar a compreender as necessidades individuais de cada membro da equipe. Outro ponto importante é que os líderes devem valorizar o potencial dos colaboradores, explorando sempre o melhor de cada um e garantindo que ninguém se sinta ‘perdido’ ou desmotivado dentro da empresa”, complementa Evelyn.
Por fim, as especialistas apontam que o presenteísmo é reflexo da cultura da empresa e isso também deve ser ajustado. Se o foco está exclusivamente no cumprimento de horários, sem levar em consideração o desempenho, o bem-estar e, sobretudo, a natureza das tarefas, os colaboradores tendem a permanecer improdutivos, mesmo trabalhando de forma presencial. É necessário criar um ambiente onde as pessoas sintam que sua performance é valorizada e compreendida.
“A nova geração tem uma abordagem completamente diferente em relação ao trabalho. O gestor precisa de fato entender seu time e implementar estratégias para que a equipe entregue no momento que está presente. As empresas precisam se adaptar e entender que o foco não deve estar no controle da carga horária, mas na gestão das entregas. Às vezes, o colaborador está ali oito horas, mas entrega somente duas, pois não estava em um bom momento e ninguém percebeu. Cobrar horas sem considerar a individualidade de cada profissional resulta em presença sem produtividade. As organizações que compreendem essa dinâmica conseguem construir um ambiente mais saudável e eficiente”, conclui Nathalia.

